Quatro vezes tri: Bayern repete (e até supera) os seus períodos mais dominantes na Bundesliga

A hegemonia do Bayern de Munique na Bundesliga é evidente. Desde que o Campeonato Alemão se tornou uma liga, em 1963/64, os bávaros conquistaram 24 títulos em 52 possíveis. O domínio do clube, porém, nunca durou mais do que três anos. Esta é a quarta vez desde os anos 1970 que o Bayern se consagra tricampeão, mas nunca conseguiu ir além. Agora, parece ter a oportunidade perfeita. Afinal, em nenhuma outra das outras sequências o time da Baviera conseguiu ser tão superior à concorrência – tanto por méritos seus quanto por deficiências dos outros.

BAYERN TRICAMPEÃO: A nova campanha arrasadora teve Neuer como herói principal

A história começa a ser contada em 1972, quando o timaço capitaneado por Beckenbauer se impôs sobre o Borussia Mönchengladbach de Günter Netzer. Força que se repetiu a partir de 1985, com a equipe que se tornaria base para a Alemanha Ocidental conquistar a Copa de 1990. Na virada do século, o Bayern restaurou seu respeito internacional e o desempenho arrasador dentro do país. Para, enfim, Jupp Heynckes e Pep Guardiola escreverem a história atual, em um coletivo fortíssimo.

Abaixo, contamos um pouco das campanhas em cada um dos tricampeonatos, assim como trazemos dados e nomes específicos de cada momento. Além disso, também vídeos com uma vitória marcante do Bayern contra o seu principal adversário naqueles triênios. Confira:

1972-1973-1974

O melhor time da história do Bayern antecedeu o tricampeonato da Copa dos Campeões com o tricampeonato alemão. O esquadrão de Beckenbauer tinha um desempenho impressionante especialmente no ataque, onde Gerd Müller somou mais de um gol por rodada. Além disso, também era o período da rivalidade mais parelha aos bávaros: o Borussia Mönchengladbach, que também formaria a base da seleção alemã em 1974. Na temporada do terceiro título, os Potros ficariam apenas um ponto atrás – e, na sequência da década, conquistariam o seu próprio tri, bem como seriam vices da Champions. Já nos títulos anteriores, o Bayern ficou três pontos acima do Schalke em 1972 e sobrou no ano seguinte.

Destaques: Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Paul Breitner, Gerd Müller, Uli Hoeness
Artilheiro: Gerd Müller, 106 gols
Técnico: Udo Lattek
Aproveitamento: 74,2% (considerando três pontos por vitória)
Vitórias: 69 em 102 rodadas
Média de gols marcados: 2,84 por jogo
Média de gols sofridos: 1,18 por jogo
Outras competições: Uma Champions (1974, início do tricampeonato)
Principais concorrentes: Borussia Mönchengladbach (de Netzer, Vogts, Heynckes, Bonhof), Schalke 04 (de Klaus Fischer, Kremers, Libuda) e Colônia (de Overath, Cullmann, Dieter Müller)

Vídeo: Dezembro de 1973, Bayern 4×3 Gladbach

1985-1986-1987

Depois de um período de entressafra e quase falência no início da década de 1980, o Bayern se reergueu justamente a partir da venda de seu maior craque, Rummenigge. Udo Lattek voltou à Baviera para vencer seu segundo tri, mais uma vez apostando em jovens talentos, como Lothar Matthäus. Aquele time também contava com um sistema defensivo forte, liderado pelo goleiro belga Jean-Marie Pfaff. Mas, em tempos nos quais os talentos eram mais dispersos pelo país, os bávaros suaram um bocado. Depois de baterem o Werder Bremen de Rudi Völler por quatro pontos em 1985, só os superaram no saldo de gols um ano depois. Em 1987, um pouco mais de sobra, seis pontos acima do Hamburgo. O problema daquele Bayern foi fracassar na Copa dos Campeões, caindo em duas quartas de final e perdendo a decisão para o Porto em 1987. Após o título do Bremen em 1988, o Bayern ainda seria bicampeão em 1989 e 1990.

Destaques: Matthäus, Pfaff, Augenthaler, Wohlfarth, Dieter Hoeness
Artilheiro: Lothar Matthäus, com 30 gols
Técnico: Udo Lattek
Aproveitamento: 69,9% (considerando três pontos por vitória)
Vitórias: 62 em 102 rodadas
Média de gols marcados: 2,24 por jogo
Média de gols sofridos: 0,98 por jogo
Outras competições: Uma copa (vice da Champions em 1987)
Principais concorrentes: Werder Bremen (de Völler, Neubarth, Schaaf), Colônia (de Allofs, Littbarski, Schumacher), Hamburgo (de Magath, Jakobs, Rolff)

Vídeo: Novembro de 1985, Bayern 3×1 Bremen

1999-2000-2001

Ottmar Hitzfeld não é considerado um dos maiores técnicos do Bayern à toa. Ele foi o primeiro capaz de repetir os feitos de Udo Lattek, tanto na Bundesliga quanto na Champions. Depois de fazer o Borussia Dortmund campeão europeu, o treinador reinou na Baviera, em um time bastante experiente, liderado por Kahn, Effenberg e Matthäus. No entanto, este é o tricampeonato que mais ficou por um triz. Apenas em 1999 a taça veio com grande vantagem. Em 2000, o ótimo Bayer Leverkusen deixou escapar na última rodada, vice só pelo saldo de gols. Já na sequência, o Schalke também bobeou demais e permitiu a ultrapassagem dos bávaros por um ponto. Vice da Liga dos Campeões em 1999, a taça foi recuperada em 2001, após 25 anos de jejum.

Destaques: Kahn, Effenberg, Élber, Matthäus, Lizarazu
Artilheiro: Élber, com 42 gols
Técnico: Ottmar Hitzfeld
Aproveitamento: 69,9%
Vitórias: 65 em 102 rodadas
Média de gols marcados: 2,06 por jogo
Média de gols sofridos: 0,91 por jogo
Outras competições: Uma Champions (e um vice), um Mundial, uma copa
Principais concorrentes: Bayer Leverkusen (Ballack, Kirsten, Schneider, Neuville), Borussia Dortmund (Lehmann, Kohler, Ricken, Reuter), Schalke 04 (Sand, Asamoah, Thon, Möller)

Vídeo: Fevereiro de 2000, Bayern 4×1 Leverkusen

2013-2014-2015

A atual sequência do Bayern só não superou o recorde de gols dos anos 1970. De resto, é muito superior em todos os outros quesitos, mesmo sem ter concluído a atual campanha. O aproveitamento e o número de vitórias estão consideravelmente acima, fazendo com que os bávaros não tivessem rivais do mesmo nível durante três anos. Hegemonia explicada pelo excelente elenco, é claro, mas também pela distância da qualidade técnica dos oponentes. Quem surgiu como maior ameaça foi o Borussia Dortmund, e mesmo assim só podendo atrapalhar a reconquista da Champions em 2013 – ano da inédita Tríplice Coroa.

Destaques: Robben, Neuer, Thomas Müller, Schweinsteiger, Ribéry, Lahm
Artilheiro: Thomas Müller, com 39 gols
Técnico: Jupp Heynckes, depois Pep Guardiola
Aproveitamento: 87,4%
Vitórias: 82 em 98 rodadas
Média de gols marcados: 2,74 por jogo
Média de gols sofridos: 0,55 por jogo
Outras competições: Uma Champions (e duas semis), um Mundial, duas copas
Principais concorrentes: Borussia Dortmund (Reus, Hummels, Götze, Gündogan), Wolfsburg (De Bruyne, Benaglio, Olic, Ricardo Rodríguez), Leverkusen (Kiessling, Son, Leno, Rolfes)

Vídeo: Novembro de 2013, Dortmund 0x3 Bayern