O Hoffenheim terminou a Bundesliga em grande estilo. A vitória por 3 a 1 sobre o Borussia Dortmund, na Rhein-Neckar Arena, confirmou a melhor colocação do clube em sua história, terminando em terceiro lugar, assim como a presença inédita na fase de grupos da Liga dos Campeões. E o sucesso dos alviazuis deve ser visto além desta tarde em que quase jogaram os aurinegros ao abismo. O bom trabalho encabeçado por Julian Nagelsmann não vem de hoje. Ainda assim, o que o Hoffe protagonizou nesta reta final de campeonato é absolutamente incrível.

Não seria uma campanha fácil ao Hoffenheim. Pudera, depois que o clube perdeu Sebastian Rudy, Niklas Süle e alguns outros jogadores importantes em seu elenco. Os reforços vieram sem o mesmo lastro, mas o início do campeonato foi bom, com os alviazuis invictos nas seis primeiras rodadas, conquistando quatro vitórias. O problema é que seriam também quatro vitórias nas 18 rodadas seguintes, de outubro a fevereiro – período no qual perderam também o centroavante Sandro Wagner. Neste momento, a Liga Europa parecia o objetivo mais palpável ao time de Julian Nagelsmann, ocupando a nona colocação. Mas em um campeonato tão equilibrado como a Bundesliga, e em que todos sofriam suas derrapagens, o embalo na reta final fez a diferença.

O Hoffenheim se reencontrou a partir de março. A tabela deu sua ajuda e as variações táticas promovidas por Nagelsmann se encaixaram de maneira mais efetiva. Rodada após rodada, os alviazuis pulverizaram seus adversários. Foram seis vitórias em oito partidas, além de dois empates. A goleada por 6 a 0 sobre o Colônia foi resultado mais massivo. No entanto, nada supera os 5 a 2 sobre o RB Leipzig dentro da Red Bull Arena, mostrando toda a intensidade ofensiva do Hoffe. Um resultado emblemático e importantíssimo, pensando na corrida pela Liga dos Campeões, que voltou a se tornar real.

Na antepenúltima rodada, o Hoffenheim retornou ao G-4, batendo o Hannover 96. A derrota para o Stuttgart na semana passada não o tirou da zona de classificação à Champions. Já neste sábado, com o mesmo número de pontos que o Bayer Leverkusen, o time de Julian Nagelsmann precisava se garantir contra o Borussia Dortmund. Até contou com uma certa ajuda dos aurinegros por seus vacilos, mas não se negam os seus méritos no inapelável triunfo por 3 a 1. O amplo número de gols marcados pelo Hoffe, dono do segundo melhor ataque da Bundesliga, impulsionou o seu saldo de gols e permitiu que os alviazuis terminassem em uma louvável terceira colocação. Resultado imenso, ainda que registrado com cinco pontos a menos que quarta posição da temporada passada.

O elenco, sem ser um primor, tem jogadores úteis. Kevin Vogt e Oliver Baumann foram os esteios da defesa. Pavel Kaderábek e Nico Schulz serviram de boas válvulas de escape. Serge Gnabry mostrou que pode, sim, conquistar seu espaço no Bayern de Munique. Já na frente, Mark Uth formou uma boa parceria com Andrej Kramaric e se torna um dos melhores negócios da Bundesliga ao chegar de graça ao Schalke 04. E isso porque Kerem Demirbay, essencial na criação, perdeu vários jogos por contusão. Um conjunto que, nome por nome, não está entre os quatro primeiros do campeonato, mas se provou em campo.

Já à beira do campo, Julian Nagelsmann continua se provando um técnico excepcional. Superou os momentos de dificuldade para cumprir o seu objetivo, sem renegar os seus ideais de exibir um futebol ofensivo e vistoso. Não à toa, foi eleito pela própria Bundesliga como o “homem da rodada” nesta semana derradeira. É, sem dúvidas, uma opção para os grandes clubes da Europa. Mas, por enquanto, será bacana se pudermos acompanhar por mais um tempo seu trabalho memorável em Sinsheim. A Liga dos Campeões será um palco merecido e, apesar da eliminação para o Liverpool nesta temporada, os alviazuis têm time para brigar pelos mata-matas na próxima edição. Será um desafio aos grandes, especialmente por nunca temê-los.