O atacante Jamie Vardy decidiu não jogar mais pela seleção da Inglaterra, depois de informar ao técnico Gareth Southgate nesta terça-feira sobre a sua decisão. Não é uma aposentadoria definitiva, dado que ele se manteve disponível “em caso de crise de lesões”. Aos 31 anos, o jogador quer se dedicar mais ao futebol de clube e à família. Outro fator que influenciou foi que ele não vê grande chance de jogar com a Inglaterra – ele foi reserva na Copa do Mundo na Rússia.

LEIA TAMBÉM: O Crystal Palace de 1990/91: Quando as Águias se intrometeram entre as potências do país

Convocado pela primeira vez em maio de 2015, o atacante tem 26 jogos pela seleção dos Três Leões. Esteve na Eurocopa de 2016 e também na Copa do Mundo de 2018. Foi no retorno da Rússia que Vardy falou pela primeira vez com Southagate com a ideia que tinha de deixar de jogar pela seleção inglesa. Há duas semanas, quando o técnico inglês já preparava os convocados para os jogos amistosos de setembro, Vardy voltou a falar com Southgate para informar que não tinha mudado de ideia.

Segundo o Guardian, Southgate disse a Vardy sentir que “ele ainda tem muito a oferecer”, mas entendeu o pensamento por trás da decisão do jogador. A pedido do técnico, que considera que a Inglaterra não tem tantas opções assim para centroavante, a porta permanecerá aberta para uma nova convocação, mas o jogador voltaria apenas em um caso de crise de lesões.

“Sendo honesto com você, isso está na minha cabeça há um tempo”, afirmou Vardy ao Guardian. “Eu não estou ficando mais jovem e você pode ver, para ser honesto com o chefe, ele quer tornar o time mais jovem, o que obviamente teve seus benefícios durante a Copa do Mundo – nós chegamos à semifinal e terminamos em quarto, o que é igual ao melhor resultado que já tivemos em solo estrangeiro. Então eu apenas disse para Gareth que é provavelmente o melhor de agora em diante, especialmente com o modo como ele quer fazer, levar jogadores jovens que ele considere que têm a habilidade e começarem nutrir neles o futebol internacional”, continuou o jogador.

O Guardian perguntou se o fato de Vardy ser convocado, viajar com a seleção inglesa, mas jogar pouco, já que é reserva, influenciou na decisão. “Sim, isso teve um impacto. Quando você é convocado, você quer jogar. Se você está jogando semana a semana com o seu clube, você quer ir para a seleção para jogar também. E se não está acontecendo, então para mim, pessoalmente agora, com essa idade, é melhor estar em casa, gastando tempo com a família e treinando com o meu clube, preparando para o próximo jogo depois da parada para os jogos de seleção”, disse Vardy.

“Eu expliquei isso tudo a Gareth e ele estava bem com a minha decisão. Eu mencionei isso depois que a Copa do Mundo terminou, lá na Rússia, e então falei com ele por telefone algumas semanas atrás. Ele deixou que a poeira baixasse um pouco para que eu tivesse mais tempo para pensar e depois me ligou apenas para ter certeza que eu não estava brincando na Rússia. Mas não mudou o que penso. Gareth me disse que eu ainda tinha muito a oferecer e nós não fechamos a porta completamente. Se o pior acontecer e todo mundo estiver machucado, então obviamente eu não vou dizer não”, explicou ainda o atacante do Leicester.

Ele também contou que ficou um pouco frustrado por ter jogado pouco na Rússia, ainda que tenha elogiado o técnico Gareth Southgate por tornar o ambiente da seleção similar a um de clube. Vardy acha que poderia ter jogado mais contra a Croácia e acredita que poderia ter feito mais pela seleção, se tivesse jogado mais – ele entrou apenas nos últimos oito minutos da prorrogação. “Eu acho que poderia ter ajudado se tivesse mais minutos. Você sabe quando pode ferir o adversário de certas formas, pelo modo como você joga. Mas não era para ser. E você tem que respeitar a decisão do técnico”, afirmou o jogador.

Jamie Vardy, da Inglaterra (Foto: Getty Images)

Cahill se aposenta da seleção inglesa

O zagueiro Gary Cahill, do Chelsea, também decidiu se aposentar da seleção inglesa. Aos 32 anos, o jogador sentiu que não fazia mais parte dos planos, depois de ser reserva em um sistema de três zagueiros, com John Stones e Harry Maguire ocupando as posições como principais defensores, além de Kyle Walker adaptado. Depois de 61 jogos pela Inglaterra, o jogador quer se concentrar no Chelsea, onde sequer tem lugar garantido no time. Com Antonio Conte, ele já vinha jogando menos partidas e começou como reserva com Maurizio Sarri.

“Em termos de futuro internacional, acho que é tempo de dar um passo para trás e eu acho que este é o momento certo”, disse o jogador em entrevista à Chelsea TV. “Eu sou imensamente orgulhoso pelo que eu consegui, em termos de 60 0jogos e eu ter sido capitão do meu país em algumas ocasiões, o que foi uma enorme honra e algo que eu realmente fiquei muito orgulhoso na minha carreira”, explicou. “Três grandes torneios e poderiam ser quatro. Então, eu joguei de forma sólida ao longo dos anos que estive envolvido. Eu fico enormemente honrado em ter jogado pelo meu país e eu nunca fecharia a porta se precisarem de mim um dia”.

Vardy e Gary Cahill tomaram a decisão de sair do time, sendo dois dos três jogadores acima de três anos que foram convocados por Southgate à Rússia. Além dos dois, Ashley Young, que foi como lateral para o Mundial, tem 33 anos. Ainda pode ser convocado, mas a tendência é que outros jogadores mais jovens ganhem oportunidades.

O técnico Gareth Southgate escolherá os jogadores que irão defender a Inglaterra nos próximos jogos. No dia 8 de setembro, os ingleses jogam com a Espanha pela Liga das Nações, em Londres, enquanto no dia 11 fazem amistoso com a Suíça. Curiosamente, esse amistoso será disputado em Leicester.