Em meio à festa pela conquista do tetracampeonato do Benfica, o goleiro Júlio César foi dar um abraço no técnico Rui Vitória. Depois, questionado sobre o gesto e sobre o que disse ao treinador, o experiente brasileiro esbanjou sinceridade. “Agradeci por aquele momento, pelo trabalho que fez, é um comandante, um líder. O sucesso que o Benfica tem tido nos últimos anos passa pelo excelente trabalho que ele tem feito”, disse.

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Para além da elegância demonstrada com o depoimento, Júlio César tem razão. Afinal, se é possível personificar em alguém o sucesso obtido pelo Benfica em Portugal nas últimas duas temporadas, o treinador certamente está na cabeça da fila. Vindo do Vitória de Guimarães e sem experiência anterior de trabalhar em grandes equipes, Rui Vitória teve o mérito de entender seu próprio tamanho perante o gigante clube em que estava chegando e, com mais trabalho e menos frases de efeitos que seus principais concorrentes, mostrar-se um vencedor.

A temporada 2016/17 em Portugal terminou com o Benfica campeão da Taça de Portugal pela 26ª vez na história. A equipe é a maior vencedora da competição, que não faturava havia três anos. Dias antes, o auge tinha sido alcançado no tetracampeonato, que marcou também o 36º título nacional da história do clube, maior campeão nacional.

Quando chegou à Luz, em 2015/16, Rui Vitória herdou a equipe bicampeã sob o comando de Jorge Jesus, que tinha acertado sua ida para o Sporting. Bastante criticado no começo, ele sobreviveu aos momentos de turbulência e, aos poucos, foi trocando a herança recebida pelo seu próprio estilo. Na temporada recém-encerrada, já “cascudo” pelo título conquistado, o técnico precisou superar o que parecia uma lista sem fim de jogadores contundidos. Ainda assim, fez um trabalho tão consistente que o título foi conquistado com uma rodada de antecedência – e o respeito dos jogadores por ele ficou claro nas palavras de Júlio César.

Ser o técnico do tetracampeonato fez Rui Vitória marcar seu nome definitivamente na história encarnada. Ser campeão nacional quatro vezes seguidas era uma obsessão que o Benfica buscava desde os anos 1930. Uma conquista tão importante quanto a ansiedade que causava. Basta ver que, horas depois de confirmado o título, o ônibus e até o vestiário do time já estavam personalizados com a palavra “tetra”.

Aliás, o tetra benfiquista foi, em toda a história dos times que ganharam quatro vezes seguidas o título português, o de melhor aproveitamento: 83,08%.

Com mais três anos de contrato e dizendo-se torcedor do clube, Rui Vitória não descarta permanecer na Luz por muito mais tempo. Nos últimos dias, chegou a dizer até que toparia ser “o Alex Ferguson do Benfica”. Se algo dessa magnitude realmente poderá ocorrer, só o tempo dirá. A certeza de agora é que o técnico e o clube fizeram um excelente casamento, que pode proporcionar muitos outros momentos felizes.