O Real Madrid não tinha um time barato, com jogadores garimpados a preços baixos e promessas desenvolvidas pelo clube. Exigiu um alto investimento no passado, mas também é verdade que, durante as três últimas temporadas em que conquistou a Champions League, os gastos com reforços foram relativamente modestos. Apenas € 150 milhões desembolsados em todo o período, preço baixo para os valores atuais e, principalmente, para o hábito merengue de contratar grandes estrelas com frequência. Para Karl-Heinz Rummenigge, principal executivo do Bayern de Munique, isso prova que não é preciso embarcar na loucura do mercado de transferências para montar um time campeão.

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“Manchester City e Paris Saint-Germain sempre foram os responsáveis globais pela inflação dos jogadores. Não o Real Madrid, que gastou quase nada nos últimos anos, o que é prova de que você não precisa embarcar na loucura do mercado para ganhar a Champions League. Esse também é o nosso caminho. É nosso objetivo conquistar novamente o troféu da Champions League, o mais rápido possível”, afirmou o dirigente alemão à TZ.

Evidentemente, em certo momento, grandes times precisam fazer grandes investimentos, mas Rummenigge refere-se ao hábito de contratar jogadores o tempo inteiro por preços excessivos, sem necessariamente precisar deles. Como o Real Madrid, aliás, já fez várias vezes, em um passado não tão distante, também inflacionando o mercado – trouxe Toni Kroos e James Rodríguez logo depois da décima conquista europeia, por exemplo. O Bayern de Munique prefere montar equipes a longo prazo. A contratação mais cara de sua história é Correntin Tolisso, por € 41,5 milhões. E os principais nomes, Arjen Robben e Franck Ribéry, estão no clube há quase dez anos.

Ele disse que recebeu em primeira mão a informação de que o Manchester City, depois de investir muito em reforços nos dois primeiros anos sob o comando de Pep Guardiola, pretende mudar a sua abordagem. Por enquanto, o atual campeão inglês contratou apenas Riyad Mahrez na janela, entre os principais nomes, e tentou Jorginho, que acabou no Chelsea. “Guardiola disse que eles originalmente planejavam comprar alguns jogadores a mais, mas decidiram não fazer isso porque não querem mais fazer parte da loucura. Eu fiquei um pouco surpreso, mas pensei que seria realmente maravilhoso se isso continuasse sendo verdade até o fim do fechamento da janela inglesa”, disse.

Para que a estratégia bávara funcione, também é importante manter os principais jogadores o máximo possível. Por isso, o clube bloqueou o desejo de Robert Lewandowski por novos desafios. “Queremos estabelecer um exemplo com Robert, para mostrar, tanto interna quanto externamente, que o Bayern de Munique é completamente diferente de outros clubes que fraquejam a certo preço. Queremos mostrar que a nossa porta está fechada. Ele queria sair, mas nós o informamos que não permitiremos. Estamos totalmente felizes com o jogador. Não é do nosso interesse que ele saía, não importa se vierem propostas de € 100 milhões ou de € 150 milhões”, afirmou o ex-jogador.

Por outro lado, tanto Ribéry, 35 anos, quanto Robben, 34, tiveram seus contratos renovados por apenas uma temporada, e Rummenigge indicou que provavelmente será a última da dupla em Munique. “Não estendemos os contratos deles por acaso. Também discutimos se os estenderíamos por uma temporada para jogadores de 34 e 35 anos. Tenho certeza que eles quererão usar este último ano para mostrar a todos a qualidade que têm. Um chegou em 2007 e outro em 2009 e não é coincidência que demos um salto, em âmbito nacional e internacional, desde então”, encerrou.