O Bayern de Munique entrou em campo nesta terça-feira, não em um jogo oficial, mas em ocasião ainda mais especial. As arquibancadas da Allianz Arena estiveram ocupadas por 75 mil torcedores, que tinham compromisso com um velho conhecido. Um ídolo eterno chamado Bastian Schweinsteiger. O meio-campista foi homenageado pelo clube nesta semana, incluído no Hall da Fama dos bávaros. E para concluir os festejos, o clube organizou um jogo de despedida ao veterano, contra o seu time atual, o Chicago Fire – com o qual, aos 34 anos, possui contrato ao menos até dezembro. Durante os 45 minutos iniciais, o camisa 31 defendeu os americanos. Já na etapa final, sentiu novamente a sua segunda pele colar ao corpo e arrancou aplausos da multidão, ao anotar um gol para fechar o placar em 4 a 0 para os anfitriões. Uma noite para ser coroado como lenda.

Schweinsteiger participou de uma série de eventos com o Bayern nesta semana, mas nenhum tão bacana como o desta terça. Milhares de torcedores se dirigiram ao estádio usando a camisa 31. Encontro marcado com aquele que, além de elevar o nível técnico do time, doou-se ao máximo cada vez que entrou em campo. Antes que a bola rolasse, uma série de formalidades, incluindo uma foto com todos os troféus que Basti conquistou em Munique. Depois, chuva de gols com Serge Gnabry, Sandro Wagner e Arjen Robben. Até que o melhor chegasse ao final do segundo tempo.

Já aplaudido a cada momento em que pegava a bola, Schweinsteiger passou a ser ainda mais festejado quando vestiu a camisa do Bayern, com vários dos veteranos do elenco poupados para compartilharem o campo com o meio-campista. O ídolo insistiu várias vezes, querendo um gol que coroasse sua noite. Ele veio já no fim, com o camisa 31 iniciando a jogada e correndo à área para concluir. O último tento na Allianz Arena, de tanto significado a ele e à torcida. Ao final, os tributos se seguiram. Basti foi jogado ao alto pelos companheiros e viu um show ser armado para ouvir o “muito obrigado” dos seus, com vídeos feitos por vários amigos. A emoção aflorou e o medalhão não segurou as lágrimas. Ainda agitou a torcida com um bandeirão e puxou os cânticos, diante de uma enorme faixa pendurada nas tribunas com sua imagem.

“Meu passado pertence apenas ao Bayern e nenhum outro lugar. Foi uma noite fantástica. Definitivamente superou as minhas expectativas e me emocionou muito. A amizade precisa ser nutrida. Não via meus companheiros por um longo tempo, então foi bom estar de volta com eles. Eu apenas posso dizer muito obrigado por todas as pessoas no estádio e diante da TV. Eu me lembrarei deste dia para sempre”, apontou Schweinsteiger.

O lugar de Schweinsteiger na história do Bayern de Munique é incontestável. Não conquistou tantas Champions quanto a geração de Franz Beckenbauer e Gerd Müller, mas empilhou ainda mais taças ao longo dos anos, sobretudo na Bundesliga. Ao lado de Philipp Lahm, Arjen Robben e Franck Ribéry, merece ser lembrado como um dos símbolos deste esquadrão, principalmente por aquilo que ocorreu em Wembley, em 2013. Depois de duas amargas derrotas, o camisa 31 se redimiu para fazer os bávaros celebrarem um título continental novamente. Esta representatividade vale demais. Some-se a isso o talento do maestro, seu empenho inabalável durante os 90 minutos e, sobretudo, a dedicação que teve à instituição ao longo da vida. Cria-se uma lenda, mitificada definitivamente nesta terça.