El Salvador e Honduras compõem uma das maiores rivalidades do futebol nas Américas. Afinal, foi justamente um duelo entre os países que se tornou estopim para a ‘Guerra do Futebol’. Quase cinco décadas depois do conflito, as relações são bem mais afáveis. E, neste sábado, em amistoso disputado em Houston, os hondurenhos ajudaram a expor a insatisfação dos salvadorenhos. A equipe realizou um protesto no primeiro minuto do jogo, contra a reeleição do atual presidente da federação, Hugo Carrillo. Há uma série de críticas contra sua gestão.

A manifestação aconteceu logo no pontapé inicial. Enquanto Honduras tocava a bola desinteressadamente, os jogadores de El Salvador mantinham os braços cruzados, sem sequer deixar as suas posições. Os hondurenhos chegaram a ceder um lateral aos salvadorenhos, que devolveram a bola aos adversários. Na saída de campo, os protestantes agradeceram o apoio dos vizinhos. El Salvador venceu o jogo por 1 a 0.

“Agradeço aos jogadores de Honduras, que nos respeitaram. Tomara que as coisas mudem. Desde que chegamos na concentração, falamos com os jogadores e deixamos claro que fazíamos por amor às cores, à seleção”, declarou Álex Larín, capitão salvadorenho na ocasião. Alguns de seus colegas chegaram até mesmo a recusar a convocação, em sinal de discordância à gestão de Carrillo.

São vários os entraves que afetam o futebol de El Salvador. Um problema grave é a violência nos estádios, que não deixa de ser um reflexo da sociedade local. Em 2015, Alfredo Pacheco, recordista em partidas pela seleção, foi assassinado durante um assalto. Outra questão séria é a manipulação de resultados. A própria seleção se envolveu em casos de apostas ilegais, com atletas presos e banidos do esporte. Não à toa, a equipe nacional se manteve inativa por quase um ano entre 2013 e 2014. Por fim, há a corrupção na alta cúpula. A federação foi citada nos documentos do Fifagate, com dirigentes presos no episódio global de subornos e favorecimentos.

Presidente também do Atlético Marte, um dos principais clubes de El Salvador, Hugo Carrillo é alvo de diversas críticas. Em seu clube, atrasou salários de jogadores. Já na federação, acusam a falta de transparência na administração, a venda de direitos televisivos sob interesses escusos e a falta de investimentos para melhorar as estruturas. Pior, o cartola não tem boas relações com os jogadores da equipe nacional e nem mesmo com dirigentes de outras entidades importantes, como a liga nacional. No entanto, se privilegia pelo sistema eleitoral dentro da federação, que manterá o seu reinado até 2022. Nada muito diferente do que se vê no Brasil.

“Foi um desastre essa reeleição. Estamos pensando em mudanças importantes para gerar confiança e mudar o que é necessário. Eu vejo a continuidade de Carrillo como algo negativo, porque garante a permanência do que não está bom. Foi a pior gestão da federação, retrocedemos demais”, declarou Ernesto Allwood, presidente da liga. Os jogadores, ao menos, não se calaram ante a insatisfação.