A imprensa espanhola já vinha noticiando que a partida que a liga pretende realizar nos Estados Unidos nesta temporada do Campeonato Espanhol, como parte de um acordo de 15 anos com a empresa de mídia Relevent, seria Girona, em casa, contra o Barcelona, em 27 de janeiro. Nesta segunda-feira, a Associação de Jogadores Espanhóis, o sindicato dos atletas do país, reuniu-se com La Liga e confirmou a informação.

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A insatisfação da AFE com a decisão, segundo a entidade, tomada unilateralmente por La Liga, havia sido manifestada depois de uma reunião com os capitães de quase todas as equipes do Campeonato Espanhol, no final de agosto. “Estamos falando de um acordo com validade de 15 anos, sem uma consulta aos jogadores”, disse, à época, o presidente do sindicato, David Aganzo. Ele também chegou a mencionar uma greve como “medida extrema” – o que os capitães posteriormente esclareceram que foi uma ideia apenas citada na reunião, sem ser levada a sério.

De qualquer maneira, é importante saber que os representantes dos atletas não gostaram da ideia porque o comunicado do sindicato afirma que La Liga comprometeu-se a produzir um relatório detalhado sobre a ideia para submeter à avaliação dos jogadores. A AFE acrescenta que “os jogadores de futebol, por meio da AFE, serão os responsáveis por tomar uma decisão definitiva sobre a partida a ser disputada nos EUA”. A medida também teria que ser aprovada pelas entidades responsáveis, como federações da Espanha e dos EUA, Uefa e Concacaf.

O Girona, em um comunicado em seu site, confirmou que aceitou a proposta de La Liga para transferir seu encontro como mandante contra o Barcelona para os Estados Unidos, mas que a mudança ainda não é oficial. Garantiu que está discutindo maneiras de compensar os seus sócios pela perda de uma das mais importantes partidas do calendário no seu estádio.

“O clube aceitou a proposta entendendo que é uma grande possibilidade de expansão e de crescimento, não apenas para o Girona, mas também para nossa cidade nosso território”, afirmou. “Há pouco mais de três anos, o clube lutava para não desaparecer e agora nosso objetivo é nos consolidarmos na primeira divisão. Esta ação seria mais um passo à frente na nossa vontade e sonho de competir na elite do futebol, depois do esforço que todos fizemos nos últimos anos e que nos levou à primeira divisão”.

Em entrevista à rádio Onda Cero, o presidente de La Liga, Javier Tebas, afirmou que o City Group, dono do Manchester City e dono de 44,3% das ações do Girona, é entusiasta da ideia. “Girona x Barcelona será jogado nos Estados Unidos com 90% de certeza, mas muito do acordo é mais do que apenas um jogo, é sobre um processo muito maior”, afirmou. “Não há obrigação para os times jogarem uma partida por ano nos Estados Unidos, apenas os clubes que se voluntariarem a isso farão isso. O jogo é designado para ajudar os times que não têm uma base de torcedores muito grande”.

Segundo o jornal catalão Sport, o Girona prepara algumas opções para compensar o torcedor que comprou o carnê de temporada e de repente perderia uma das principais atrações para Miami – onde provavelmente a partida seria disputada. O clube planeja colocar à disposição 1,5 mil voos grátis para os Estados Unidos, mediante um depósito de 500 euros que seria devolvido ao fim da viagem. Quem não quiser atravessar o Atlântico, poderia adquirir um dos 5 mil ingressos para o jogo contra o Barça no Camp Nou, que fica a 100 quilômetros de Girona, mais 20% de desconto no carnê da próxima temporada. Quem não quiser fazer nenhum dos dois receberia um abono de 40%.

Mesmo com esse esforço do Girona, que de acordo com o Sport poderia receber até € 4 milhões para aceitar a mudança, muitos dos seus torcedores, principalmente os que não possuem carnês de temporada, perderiam a oportunidade de assistir a Lionel Messi e companhia no Estadi Montilivi, onde o clube da casa teve média de 10 mil pessoas por partida na última temporada. E o dano técnico à competição não pode ser reparado com um punhado de passagens aéreas.

Disputar a partida nos Estados Unidos significa, na prática, uma inversão de mando de campo porque obviamente o Barcelona teria maioria em um jogo realizado em Miami – basta ver os públicos das partidas amistosas do clube catalão no país norte-americano. Enquanto isso, os outros 18 times da tabela teriam que visitar o Girona, que não teve uma campanha brilhante como mandante (a 15º do Espanhol, com oito vitórias, três empates e oito derrotas), mas que conseguiu, por exemplo, vencer o Real Madrid.