Depois de semanas bastante incertas, o Milan tomou novos rumos quando o fundo de investimentos Elliott assumiu o controle do clube. A companhia americana havia sido a responsável por realizar um empréstimo na casa de €300 milhões a Yonghong Li, o proprietário dos rossoneri ao longo do último ano. No entanto, como o empresário chinês não cumpriu seus compromissos para manter a viabilidade de sua gestão, a Elliott assumiu as rédeas. E o primeiro efeito positivo desta mudança foi anunciado nesta sexta-feira. A Corte Arbitral do Esporte (CAS) deu ganho de causa aos milanistas e reverteu a determinação da Uefa que tirava a equipe da próxima Liga Europa.

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O Milan foi punido porque não apresentou as garantias financeiras pedidas pelo Fair Play Financeiro. Além disso, as negociações por um acordo voluntário fracassaram. Os prejuízos no último triênio superaram os €30 milhões, conforme determinado pelas regras. A Uefa chegou a advertir Yonghong Li sobre o entrave, acumulado desde os tempos de Silvio Berlusconi, mas os rossoneri investiram alto em contratações. Além disso, o chinês não cumpriu com compromissos internos para aumentar o capital do clube e oferecer as garantias financeiras. Calcula-se que a dívida atual da agremiação chegue a €100 milhões. A entidade europeia fez um acompanhamento a partir de dezembro de 2017, sem aceitar os acordos apresentados pelos milanistas.

A decisão do Fair Play Financeiro indicava um rigor maior com o Milan do que é costume na Uefa, principalmente nas punições relacionadas aos grandes clubes. Esperava-se até mesmo que pudesse servir de precedente para se exigir um controle maior sobre equipes com investidores bilionários, a exemplo de Manchester City e Paris Saint-Germain. Especialistas também avaliavam que o texto bem amarrado da entidade europeia em sua condenação não permitiria muitos recursos. A chegada do Elliott Management, todavia, mudou o cenário completamente. Com maiores recursos ao redor dos rossoneri, sem os mesmos temores que rondavam Yonghong Li, a CAS livrou os italianos da exclusão no torneio continental.

A Corte acatou parcialmente a apelação feita pelo Milan. Segundo a nota oficial, o tribunal apontou que a pena imposta pela Uefa foi desproporcional. “O painel considerou que alguns elementos importantes não foram avaliados ou não foram propriamente avaliados no momento em que a apelação foi apresentada, e notou que a situação financeira do clube está melhor, com a mudança no comando”, apontou a CAS. Assim, a justiça desportiva relata o caso de volta à Uefa e solicita que uma nova punição, proporcional às violações referidas, seja aplicada.

Com isso, o Milan entrará diretamente na fase de grupos da Liga Europa. A Atalanta, que avançaria até a fase principal da competição, precisará começar a sua caminhada a partir da segunda etapa preliminar – na qual enfrentará o Sarajevo. Já a Fiorentina, que substituiria o Milan e entraria na segunda fase qualificatória, não disputará as competições europeias nesta temporada.

Nesta semana, o Corriere della Sera afirmou que o Elliott Management deve continuar à frente do Milan pelos próximos três anos, oferecendo maior estabilidade ao clube, antes de buscar um novo comprador. Ainda há dúvidas sobre o nível de investimento neste novo momento, mas a segurança financeira proveniente da companhia americana é inegavelmente maior, evitando temores quanto a quebras ou outros desastres. Além disso, o jornal também publica que Yonghong Li está sob investigação na Itália, acusado de enganar o mercado financeiro através de seus comunicados à frente dos rossoneri. Ele garantia que cumpriria as obrigações, embora enfrentasse uma situação falimentar em suas empresas na China. Outra questão é descobrir por que Li não vendeu o clube para outros compradores interessados, diminuindo seu prejuízo, antes que o Elliott Management tomasse à frente no negócio. Cenas para os próximos episódios de uma história ainda mal contada.