Está sonhando em jogar a Copa do Mundo de 2018 pela seleção brasileira? O número de vagas disponíveis diminuiu, nesta sexta-feira. O UOL publicou trecho de uma entrevista com o técnico Tite com a confirmação de 15 dos 23 nomes e nenhuma surpresa. Oito lugares seguem em disputa.

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Onze desses 15 são os jogadores que se acostumaram a começar jogando com a camisa amarela: Alisson, Daniel Alves, Marquinhos, Miranda, Marcelo, Casemiro, Renato Augusto, Paulinho, Coutinho, Neymar e Gabriel Jesus. Difícil que qualquer um desses ficasse fora da Copa.

Os outros quatro são Thiago Silva que, apesar de ter virado reserva da Seleção, tem experiência e qualidade das quais o técnico não pode prescindir; Fernandinho, o pilar do melhor time desta temporada e elogiado por quase toda a Europa; Willian, que sempre foi uma espécie de 12º jogador de Tite; e Firmino, talvez o mais próximo de uma surpresa por ter sido constantemente contestado por parte do público e da crítica. Mas os jogos espetaculares que vêm fazendo foram convincentes o suficiente.

O alerta que fica, pós anúncio, é o da principal armadilha que Tite precisa evitar. Não pode se apegar à fidelidade excessiva aos jogadores que colocaram o Brasil na Copa do Mundo e precisa ter cartas na manga. E um detalhe da entrevista chama a atenção: ele caracterizou os primeiros nomes da convocação como os “11 que iniciam”.

É um detalhe que denota que, a quatro meses da Copa do Mundo, o time titular está realmente definido. E não deveria estar. O Brasil atingiu algo próximo do auge de desempenho durante as Eliminatórias Sul-Americanas, o que foi bom para se classificar com antecedência recorde, mas precisa que isso aconteça novamente durante o mês do Mundial.

E será mais difícil se o seu estilo de jogo já tiver sido revirado do avesso pelos analistas dos adversários, como certamente será. Tite precisa buscar alternativas, treiná-las e testá-las. Pode até concluir, no fim das contas, que esses 11 jogadores formam realmente o melhor time titular possível para o Brasil, mas não deveria fechar a cabeça com tanta antecedência.

Pela mesma linha, assustam as duas observações mais recentes da comissão técnica brasileira. A busca de um meia que “flutua de fora para dentro” colocou Jadson no radar da Seleção. E a reserva de Daniel Alves pode render chance a Edilson, campeão sul-americano pelo Grêmio e atualmente no Cruzeiro.

Jadson é um meia talentoso, mas que já viveu momentos melhores, inclusive no Corinthians, e que não conseguiu ser a fonte de criatividade que seu time precisava nem mesmo durante a campanha de campeão brasileiro do ano passado. Melhorou ligeiramente em 2018. Edilson é um lateral esforçado e para por aí. Vem de um ano fora da curva para a sua carreira e seu potencial tem um teto muito claro – e não muito alto.

Tite já fez críticos queimarem a língua com os chamados “jogadores de confiança”. Renato Augusto e Paulinho saíram da China para os primeiros jogos do gaúcho no comando do Brasil e se firmaram como peças essenciais do time. Um deles foi até para o Barcelona. Ninguém mais contesta a presença deles entre os 23. Por outro lado, Gil ganhou algumas chances no começo do projeto, mas já foi aparentemente preterido por outras chances. Ponto para Tite.

O técnico, porém, não pode recorrer a jogadores que atuaram com ele no Corinthians todas as vezes em que houver um vácuo na seleção brasileira e também não precisa necessariamente de jogadores com todas as características que formaram o estilo de jogo que o consagrou no Parque São Jorge.

Mas quer um meia que “flutua de fora para dentro”? Que tal Douglas Costa, que jogou uma partida de oitavas de final de Champions League por dentro no 4-1-4-1 – o esquema preferido de Tite – da Juventus contra o Tottenham e é ponta de origem? Ou, na opção nacional, Luan, com estilo diferente de Jadson, mas que também sabe sair dos lados e jogar mais centralizado. Na lateral direita, Danilo tem jogado um pouco mais no Manchester City e ainda leva a vantagem de atuar em todas as posições da defesa. Esteve nas duas últimas convocações.

Das oito vagas restantes, duas são para os goleiros reservas. Restam seis: uma para o quarto zagueiro, e duas para os laterais reservas. Restam três, que provavelmente serão de meias ofensivos, como Diego e Giuliano, para citar a última convocação, e/ou de atacantes. Ou Tite pode levar jogadores que atuam em mais de uma posição. Por exemplo, Fabinho, do Monaco, que é meio-campista faz tempo, mas tem origem na lateral direita e pode quebrar o galho no lugar de Daniel Alves, quando precisar.

Além de nomes, o importante é que Tite não se apegue demais a jogadores próximos dele, e nem precisamos usar o exemplo de Dunga, na Copa do Mundo de 2010, para destacar os riscos. Ele próprio passou por isso, em 2013, quando não foi capaz de reestruturar o time do Corinthians, teve uma temporada sofrível na sequência do título mundial e não teve seu contrato renovado.

Que essas novas observações não passem de apenas observações e que, por baixo do time titular aparentemente definido, ele tenha alguns truques escondidos. Os próximos testes serão muito relevantes nesse sentido, contra equipes da escola europeia, uma delas a atual campeã do mundo. Porque o Brasil é um dos favoritos para o título mundial, mas não é o único, e precisa continuar trabalhando com a excelência que Tite demonstrou ser capaz desde que assumiu o cargo para alcançar esse objetivo.