Cincinnati conseguiu se tornar a 26ª franquia da MLS em anúncio realizado nesta terça-feira, na cidade, que fica no estado de Ohio. O prefeito de Cincinnati, John Cranley, estava presente no anúncio e é parte crucial para que isso tenha sido possível. Um dos pontos fundamentais para que a MLS escolhesse a cidade foi justamente os planos de um novo estádio, sua ótima localização, combinado com a ótima média de público do time na USL e a paixão demonstrada por futebol na região. Tudo isso só foi possível graças ao acordo entre os donos do Football Club Cincinnati e prefeitura, com bom local e contrapartidas do clube. E o time será o primeiro da nova leva de expansões, estreando na liga já em 2019.

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O anúncio da nova franquia da MLS foi feito em uma cervejaria que fica a menos de dois quilômetros de West End, onde ficará o novo estádio do clube. A localização do estádio foi um ponto importante, porque é em uma região mais interessante, bem servida de transporte público. Em contrapartida, o clube deverá construir uma escola para a cidade, já que há uma no local onde será o estádio. E, claro, o estádio só é possível diante de algumas concessões da prefeitura, o que é bastante comum nos esportes americanos. A nova casa do FC Cincinnati será inaugurada em 2021, com capacidade para 21 mil pessoas e custo estimado em US$ 212,5 milhões. O clube irá estrear na MLS jogando na sua atual casa, o estádio Nippert, da Universidade de Cincinnati. A estratégia foi usada por outros times que entraram recentemente na liga, como Orlando City, Atlanta United e Minnesota United.

O estádio é uma estrutura importante, mas só é relevante porque o público demonstrou isso desde que o FC Cincinnati entrou em campo pela USL, em 2016. Na sua primeira temporada na USL, teve média de 17.296 pessoas, com públicos nos playoffs acima de 30 mil pessoas. Nesta temporada, o clube tem média de 24.416 pessoas. Além disso, a cidade mostrou paixão também em jogos da US Open Cup, com mais de 32 mil pessoas no estádio no confronto com o Chicago Fire, nas oitavas de final, e 33.250 pessoas na semifinal perdida diante do New York Red Bulls. A paixão que a cidade demonstrou chamou a atenção para um time da USL, atualmente a segunda liga em importância no país.

A MLS tem atualmente 24 times e passará a ter 26 em 2019. O clube ainda quer aumentar a liga em dois times, chegando a 28 nos próximos anos. Miami deve entrar na liga em 2020, assim como Nashville. Detroit, Sacramento, San Diego e Phoenix ainda são candidatos a entrar na liga nos próximos anos. A liga tem expandido seus times com a entrada de New York City e Orlando, em 2015, seguida por Atlanta e Minnesota, em 2017.  O Los Angeles FC entrou na liga em 2018.

Torcida do FC Cincinnati (Photo by Kirk Irwin/Getty Images)

Dúvidas sobre a permanência do Columbus Crew

A confirmação de Cincinnati como um time da MLS levantou dúvidas sobre a permanência do Columbus Crew na liga. O dono, Anthony Precourt, quer mudar o clube para Austin, Texas. Os torcedores do clube fazem campanha para que o Crew não deixe Columbus. Cincinnati fica a cerca de 160 quilômetros de Columbus, também dentro do estado de Ohio. Será a troca de um time por outro? Don Garber, principal dirigente da MLS, garante que não. “Isso realmente não terá efeito nenhum [na situação do Crew]”, afirmou Garber à ESPN americana. “Nós acreditamos nesta cidade. Nós acreditamos no estado de Ohio.

Há uma batalha em Columbus. O promotor-geral de Ohio e a cidade de Columbus processaram a MLS e a empresa do dono, Precourt Sports Venture em março, alegando que qualquer time que receba financiamento do governo ou que joguem em estádios mantidos com impostos (ou seja, de alguma forma públicos) precisam notificar seis meses antes a intenção de deixar a cidade, além de dar a oportunidade de grupos locais comprarem e evitarem a mudança.

“Nenhuma liga jamais quer mudar um clube, mas nós estamos durante um processo”, declarou Garber. “Há um processo, que nós acreditamos, aliás, que não tem nenhum mérito. Vocês sabem que nos reunimos com a cidade, nós estamos nos reunindo com o prefeito, nós estamos nos reunindo com os sócios do Columbus. Nós iremos tentar e fazer tudo que pudermos para vir com uma solução que faça sentido para qualquer um”.

Columbus é uma cidade importante para o futebol dos Estados Unidos. A paixão dos torcedores por futebol na cidade é enorme, a ponto de ter se tornado a cada da seleção americana quando o adversário é o México. É um local onde a seleção americana pode realmente se sentir em casa, já que muitas das grandes cidades do país têm muitos mexicanos, ou descendentes de mexicanos. Columbus se tornou uma fortaleza americana contra os mexicanos para os jogos de Eliminatórias da Copa do Mundo.

Caso o Columbus Crew permaneça na liga, há a expectativa de uma forte rivalidade local entre o Crew e o Cincinnati, aproveitando a forma apaixonada como os torcedores desses dois locais se comportam nos estádios. O jornal The Cincinnati Enquirer questionou Garber sobre a possibilidade de uma rivalidade local.

“É difícil para eu dizer o que eu espero [em relação à rivalidade]. Mas eu irei dizer, não há dúvidas que Columbus e Cincinnati seriam grandes rivais juntos”, afirmou. “Mas nós temos trabalho a fazer e ver qual será o nosso futuro em Columbus”.

A liga tem se beneficiado de rivalidades locais. Há dois times em Nova York, dois times em Los Angeles (os dois maiores mercados do país), além de times do mesmo estado, como Dallas FC e Houston Dynamo. O Orlando City é um time que deve ganhar um rival com a presença do Miami a partir de 2020. A ideia de ter times com rivalidades locais tem sido algo importante e certamente seria bom para a MLS ter Columbus e Cincinnati presentes em 2019.

A história das expansões da MLS