A Uefa terá uma terceira competição de clubes a partir da temporada 2021/22, segundo informou o presidente da Associação Europeia de Clubes (ECA), Andrea Agnelli, que é também presidente da Juventus. O novo torneio irá diminuir a Liga Europa de 48 para 32 clubes, fazendo com que as três competições da Uefa tenham 32 clubes cada. Assim, o total de clubes envolvidos nas competições será de 96. Atualmente, a Uefa tem 55 países membros.

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O dirigente fez a declaração à imprensa durante a reunião bienal da ECA em Split, na Croácia, nesta terça-feira. “Ainda pendente de aprovação do comitê executivo da Uefa, a luz verde foi dada para introduzir uma terceira competição, levando o número total de clubes a 96 a partir da temporada 2021/22”, afirmou Agnelli à imprensa.

Uma das ideias que ganha força na Uefa com o presidente Aleksander Ceferin, que é esloveno, é dar mais força à Liga Europa. A ideia de uma terceira competição é uma forma de dar mais capacidade de clubes de países menores participarem e vencerem uma competição europeia. Além da glória esportiva, a ideia é também distribuir mais os recursos financeiros.

Uma terceira competição europeia não é novidade. De 1960 a 1999, a Uefa tinha a Recopa Europeia (chamada em Portugal de Taça dos Campeões de Taças, que é muito mais auto-explicativo). Reunia os campeões das copas nacionais dos países, em uma época que a Champions League era restrita apenas a campeões, com os outros melhores colocados indo para a Copa da Uefa.

A Recopa era uma forma de dar chance a campeões de copas uma participação na Europa. Depois, os campeões de Copas passaram e ganhar uma vaga na Copa da Uefa, que foi transformada em Liga Europa. A Recopa foi uma competição muito tradicional e valorizava muitos times grandes que não disputavam a Champions League.

Ainda não se sabe o formato da nova competição, mas dificilmente deve repetir a Recopa. É provável que seja uma competição no formato da Champions League, mas limitada a países mais fracos do continente. Assim, seria quase que uma terceira divisão das competições europeias, com a Champions League sendo a principal, Liga Europa em seguida e essa terceira competição em seguida.

A ideia de inclusão é interessante, mas há uma grande preocupação entre as ligas. A ECA representa 232 clubes da Europa, de 25 ligas diferentes. Há o temor que os prêmios por participações em competições europeias mexam no equilíbrio das competições, com uns ganhando mais que outros e criando um ciclo vicioso: quem vai para competições europeias ganha uma vantagem competitiva, em termos financeiros, em relação aos rivais domésticos.

Além da nova competição europeia, Agnelli ainda afirmou que os membros da ECA revisaram as regras do Fair Play Financeiro, “que será ainda mais eficiente que aquelas que nós tivemos e que entregou resultados surpreendentes”, em referência à enorme redução das dívidas dos clubes desde a introdução do sistema, em 2011.

Os clubes europeus também devem pressionar por mudanças no calendário de jogos de seleções. Segundo Agnelli, os clubes querem “uma avaliação detalhada do calendário internacional de jogos existente” depois de 2024. Mais do que isso, disse que “o atual modelo precisa de modernização”. Parece que veremos uma pressão provavelmente para diminuição de datas Fifa e jogos de seleções.