Ao ouvir a pergunta “qual foi o maior goleiro de todos os tempos na história do futebol holandês?”, é quase automática a resposta ser Edwin van der Sar. Faz sentido: o nativo de Voorhout mostrou talento na saída de bola e nas defesas, marcou época em Ajax e Manchester United, foi símbolo da seleção holandesa por 13 anos, enfim, credenciou-se como um dos melhores arqueiros de sua geração. Outros talvez respondam Hans van Breukelen. Os holandeses mais antigos ainda vivos se lembram de Frans de Munck e Eddy Pieters Graafland. Quem sabe até valha citar Piet Schrijvers. Todavia, se houve um nome capaz de rivalizar com Van der Sar no posto de camisa 1 da “seleção de todos os tempos”, foi um cidadão cujo nascimento completa 70 anos na segunda passada. Ele não disputou torneios pela Laranja, por motivos que serão comentados aqui. Mas, pelo que jogou em clubes, tornou-se indispensável a lembrança dele: Jan van Beveren.

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Van Beveren nasceu em Amsterdã, no dia 5 de março de 1948. Histórico esportivo familiar, não faltava: era filho de uma jogadora de hóquei e de Wil van Beveren, atleta que competira pela Holanda nos Jogos Olímpicos de 1936 (fora sexto colocado na final dos 200m do atletismo). E desde criança, batia bola na vizinhança com o irmão, homônimo do pai. No entanto, a trajetória esportiva do jovem Jan só tomou impulso quando a família se mudou para Emmen, em 1958. Poucos anos depois, em 1963, aos 15 anos, Jan começou a jogar no VV Emmen, clube amador da cidade.

Rapidamente, Van Beveren revelou dois traços fortes de sua biografia: o talento que tinha para jogar no gol e a personalidade forte. Esta, aliás, foi a responsável pela mudança fundamental: em 1965, aos 17 anos, após uma lesão na mão, perdeu a vaga na equipe titular do VV Emmen. A irritação arruinou a relação de Van Beveren com o clube, e ele se foi para o Sparta Rotterdam, onde jogava seu irmão.

A promessa de um craque no gol

No Sparta, enfim, começou a carreira profissional de Van Beveren, em 1965. E também não demorou para que ele virasse não só titular absoluto dos Spartanen, superando Willem “Pim” Doesburg, mas também a grande promessa dos goleiros holandeses. Com a carreira de Eddy Pieters Graafland dentro da Oranje se encaminhando para o fim, Van Beveren já se fazia notar pelas características típicas de um grande arqueiro: alto (o apelido “Lange Jan” – em holandês, “Grande Jan” – não era à toa), calmo, senso de posicionamento aguçado, capacidade de defesas espetaculares, capacidade de sair jogando com os dois pés. Enfim, se começava a aparecer em campo a geração que faria a Holanda ser respeitada no futebol mundial, Van Beveren certamente seria o primeiro nome dessa escalação. Até porque estreou precocemente pela seleção: em 29 de novembro de 1967, aos 19 anos, num amistoso contra a União Soviética – vitória holandesa, por 3 a 1.

No ano seguinte, 1968, Pieters Graafland já encerrara sua passagem pela Oranje. Caminho aberto para Van Beveren se consolidar como o titular da equipe, não só nos amistosos, mas também na campanha das Eliminatórias para a Copa de 1970. Entre os titulares habituais dos anos 1960 (Sjaak Swart, Coen Moulijn, Theo van Duivenbode, Henk Groot) e a nova geração (Johan Cruyff, Rob Rensenbrink, Willem van Hanegem, Theo Laseroms, Wim Suurbier), o goleiro novato já se estabelecia como garantia de segurança, impondo-se pelo espírito de liderança e pelo talento. Entrevistado pela NOS, emissora pública holandesa de tevê, em 2016, para um documentário sobre o ex-goleiro, Van Hanegem foi claro: “Era o melhor da Holanda – e o melhor do mundo”. No mesmo documentário, o médico da seleção, Frits Kessel, foi claro: “Sua condição atlética era excepcional: além de alto, tinha impulsão extraordinária”. De certa forma, era uma opinião compartilhada por torcida e imprensa em todo o país. Por mais que a Holanda tivesse ficado de fora da Copa de 1970 (terceira colocada no grupo 8 da qualificação europeia – a Bulgária levou a vaga), já se supunha que aquela geração era altamente promissora.

E se faltava a Europa saber dessas coisas, ela soube em 14 de janeiro de 1970. Num amistoso contra a Inglaterra, então campeã mundial, em Wembley, a Oranje teve atuação elogiada no empate em 0 a 0. E Van Beveren brilhou ao conter os ataques de gente como Bobby Charlton, Martin Peters e Geoff Hurst. A ponto de receber, ao final do jogo, a camisa amarela que Gordon Banks usara durante os noventa minutos daquele amistoso em Wembley. E de ouvir palavras altamente elogiosas do goleiro inglês – naquela época, considerado dos melhores da Europa e do planeta na posição.

Não surpreende, portanto, que ao final da temporada 1969/70, Van Beveren fosse cobiçado por Ajax e PSV – e até por outros gigantes europeus, como Real Madrid. Porém, o clube de Amsterdã preferiu apostar em Heinz Stuy como sucessor de outro veterano que terminava sua carreira, Gert Bals. Sorte dos Boeren, que gastaram tudo para contratar aquele talento já inquestionável na Holanda: por um milhão de florins (moeda holandesa pré-euro), recorde do país na época, Van Beveren tomou o caminho de Eindhoven para se tornar um dos grandes goleiros da história do clube, nos dez anos que passou lá.

A ausência na “Laranja Mecânica”: azar ou brigas?

Naquele começo de década de 1970, além de ser obviamente conhecido pelo que fazia dentro de campo – seguiu absoluto até 1973 -, Van Beveren já era observado fora de campo. Principalmente, pelos posicionamentos tão firmes quanto os de outros destaques daquela geração. Em “Rugnummer 1” (em holandês, “Camisa número 1”), minibiografia lançada em 1970, o goleiro já alfinetara o comportamento de alguns dos colegas, durante a campanha fracassada nas Eliminatórias da Copa: “Muitos jogadores se esquecem da importância de uma Copa. Eles só falam sobre dinheiro. Grana. Querem ver a grana no bolso deles. Se eles vissem a verdade, a importância de um Mundial, e tivessem assim se esforçado pelo melhor resultado possível na qualificação, o dinheiro viria por si só. Se tivéssemos ido com a seleção ao México, eu realmente acho que iríamos longe”.

Pois Van Beveren logo ganhou motivos ainda mais fortes para discordar de tal comportamento Durante a campanha nas Eliminatórias da Copa de 1974 (em cuja maior parte, foi titular da Laranja), o goleiro contestou fortemente a postura de Johan Cruyff – e de Cor Coster, sogro e agente de Cruyff. As críticas ficaram ainda mais fortes depois de Van Beveren saber que Cor Coster havia negociado uma campanha publicitária, pela qual quatro jogadores da seleção – além de Cruyff, Johan Neeskens, Van Hanegem e Piet Keizer – receberiam mais do que o restante do grupo.

Em “Klem!”, biografia de Van Beveren, escrita pelo jornalista Ruud Doevendans e lançada em 2007, o ex-goleiro comentou: “Começou tudo [a briga com Cruyff] ali. Eu disse aos outros que iria fiscalizar bem para onde aquele dinheiro iria. Então, se iniciou um clima de ‘precisamos nos livrar desse cara, ele é perigoso para nós'”. No documentário da NOS em 2016, Neeskens negou veementemente: “Eu tinha 22 para 23 anos na época da Copa de 1974, nem me preocupava com assuntos financeiros”. Segundo outras fontes, o fato de Van Beveren se negar a ser agenciado pela Inter Football, a agência de Cor Coster, só dificultou as coisas.

E ainda entrou o azar. Num amistoso contra a Polônia, em 1973 – 1 a 1, em 10 de novembro -, Van Beveren sofreu uma séria lesão na virilha. Perdeu o final da campanha de qualificação, substituído por Piet Schrijvers na equipe que levou a Holanda de volta à Copa do Mundo, após 36 anos. Todavia, treinando com firmeza, o goleiro já estava recuperado. Mesmo sem ritmo de jogo, se sabia: em forma, Van Beveren seria a escolha absoluta para defender o gol laranja naquela Copa. Tanto que foi inscrito na lista preliminar de 40 nomes relacionados por Rinus Michels para o torneio.

Contudo, uma opção polêmica de Michels tirou definitivamente Van Beveren do Mundial de 1974. Após Schrijvers ter jogado as partidas de preparação, o técnico da seleção quis ver o seu goleiro titular atuando contra o Hamburgo, em outro amistoso, no dia 23 de maio, em Hengelo, justificando: “Nessa partida, quero ver como atua o time que jogará na Copa”. Van Beveren se negou a jogar: por mais que a evolução da cura da lesão estivesse satisfatória, não queria correr o risco de agravá-la. Então, Michels foi definitivo: ou Van Beveren entraria em campo contra o Hamburgo, ou estaria fora da convocação final. E o próprio goleiro foi ainda mais definitivo: preferiu deixar a delegação.

Aparentemente, a lesão na virilha perturbou ainda mais a preparação de Van Beveren para a Copa em que brilharia. Todavia, para muitos, as circunstâncias levaram a crer que seu corte foi fruto das brigas que o tornaram desafeto de Cruyff. Estes (como o biógrafo Ruud Doevendans e outro jornalista, Matty Verkamman, amigo de Van Beveren) lembram que, no amistoso contra o time alemão, afinal, só jogaram quatro dos titulares absolutos da Holanda na Copa: Suurbier, Cruyff, Ruud Krol e Arie Haan. E confrontados com a opção de Rinus Michels, apoiada por Cruyff, de escalar um goleiro supostamente mais habilidoso com os pés (Jan Jongbloed), não são só eles que contestam. No documentário de 2016, Kees Rijvers, então treinador de Van Beveren no PSV, discordou: “Ele era atacante, nos treinos que eu dava”.

Pelo azar da lesão ou pelas brigas, o fato é que Van Beveren ficou ausente da Copa em que, muito provavelmente, seria mais um jogador marcante. E não são poucas as vozes que dizem: com ele, o time holandês teria sido ainda mais forte. Talvez, o final conhecido tivesse sido diferente.

Um respiro… e o rompimento definitivo

Pelo menos, no PSV tudo seguiu bem com Van Beveren. Seguia soberano no gol da equipe; os Boeren foram campeões holandeses, na temporada 1974/75; o time estava entrosado e fortalecido… e ficou impossível para George Knobel, técnico sucessor de Rinus Michels na Oranje, ignorar isso. Assim, muitos dos membros da espinha dorsal dos Eindhovenaren voltaram a frequentar as convocações: não só Van Beveren, mas também os zagueiros Cees Krijgh e Adrie van Kraay, o atacante Willy van der Kuylen, além dos gêmeos Van de Kerkhof (René e Willy), que haviam estado na Copa. Todavia, todos voltavam com um conselho do treinador Kees Rijvers: deveriam ser mais firmes, para evitar que “a turma do Ajax” dominasse completamente o espaço.

Quase dois anos após sua última partida pela seleção, Van Beveren voltou a vestir a camisa 1 holandesa, em 3 de setembro de 1975 (4 a 1 contra a Finlândia, pelas Eliminatórias da Euro 1976). Na partida seguinte, contra a Polônia, também pela qualificação para o torneio continental de seleções, Van Beveren e Cruyff se reencontraram. E eclodiu o conflito definitivo. Mais precisamente, dias antes do jogo contra os poloneses, 10 de setembro, uma quarta-feira, em Chorzow. Ainda atuando pelo Barcelona, Cruyff e Neeskens pediram a George Knobel liberação para se apresentarem mais tarde em relação ao resto do elenco, por terem uma partida contra o Elche, pelo Campeonato Espanhol 1975/76, no dia 6 de setembro. Querendo manter a todo custo uma boa relação com o “Nummer 14”, indiscutível líder técnico da equipe, Knobel aceitou.

No dia 8, a 48 horas da partida, Knobel comandava o treino da Laranja, quando Cruyff e Neeskens chegaram. Com roupa social, ambos entraram no gramado e foram saudados pelo treinador. Mesmo sem uma interrupção ter sido apitada, aos poucos os colegas de grupo também vieram saudar a dupla. O que não evitou a frase altamente irônica que se ouviu no meio da rodinha formada: “Enfim, chegaram os reis da Espanha”. A frase foi publicada em jornais, e um furioso Cruyff chamou Van Beveren às falas. Por mais que as fontes revelem que a frase saiu da boca de Van der Kuylen (outro jogador do PSV com certas aversões à ala de Amsterdã), nada tiraria da cabeça do capitão holandês que o observador sarcástico fora o goleiro. Ele negou, respondendo: “Não tenho culpa pelas palavras de outras pessoas”. Mas o estrago estava feito.

Estrago que se veria dentro de campo: no jogo de 10 de setembro, a Polônia dominou completamente a Holanda – goleou por 4 a 1, e poderia até ter vencido por placar maior. Mas estrago que seria maior ainda fora: em 11 de outubro, quatro dias antes do jogo de volta contra os poloneses, Cruyff falou com George Knobel ao telefone, por uma hora. O assunto foi somente um ultimato do craque: Van Beveren e Van der Kuylen deveriam ser cortados, dando os lugares respectivos a Jongbloed e Van Hanegem. Ou isso, ou o próprio Cruyff (e os jogadores do Ajax) deixariam a delegação.

Submisso às preferências dos Amsterdammers, Knobel novamente aceitou o ultimato. Dois dias depois, Van Beveren e Van der Kuylen foram chamados para uma tensa reunião com a comissão técnica. Souberam de tudo, e mesmo sem o anúncio oficial do corte, decidiram deixar a concentração da seleção holandesa, em Zeist. Por pouco, alguns colegas de PSV não fizeram o mesmo, ficando em Zeist a pedido do próprio Van Beveren. De novo, Cruyff vencera. A Holanda superou a Polônia (3 a 0, em Amsterdã) e foi à Euro 1976, com Schrijvers como goleiro titular. Mas Van Beveren ainda teria uma terceira chance.

“Eu estou sendo manipulado”

Novamente, Van Beveren se valeu de suas atuações seguras num PSV que vivia bom momento em sua história (bicampeão holandês em 1975/76, campeão da Copa da Holanda na mesma temporada) para tornar irresistível a pressão por sua presença na seleção. E em 1977, a pedido do próprio técnico Jan Zwartkruis, novamente o arqueiro voltou a frequentar as convocações. Sua reestreia foi em 31 de agosto, no 4 a 1 contra a Islândia, pelas Eliminatórias da Copa de 1978. Nas duas partidas seguintes (empate sem gols contra a União Soviética, amistoso em 5 de outubro de 1977, e 1 a 0 contra a Irlanda do Norte, uma semana depois, pelas Eliminatórias), o goleiro foi poupado por lesão. Mas com a Copa chegando – e a negativa de Cruyff em estar na Argentina, por várias razões -, enfim Van Beveren estava perto de seu primeiro Mundial, aos 29 anos. Mas o “perto” virou “longe” rapidamente.

Em 26 de outubro de 1977, um “clássico” contra a Bélgica seria o último jogo da campanha holandesa pelas Eliminatórias – e a despedida de Cruyff com a camisa laranja. Na manhã daquele dia, Jan Zwartkruis foi ao quarto de Van Beveren no hotel em que a delegação estava, em Amsterdã. E informou: naquele dia, Jongbloed seria o goleiro titular. O arqueiro perguntou a razão. Zwartkruis foi claro: “Eu estou sendo manipulado. Se você jogar, ‘Amsterdã’ não joga” – sendo “Amsterdã” uma referência clara a Cruyff, a estrela da noite. Cruyff jogou, a Holanda venceu a Bélgica por 1 a 0, foi à Copa… mas aquela conversa com Zwartkruis fora o ponto final de Van Beveren na seleção holandesa, após somente 32 partidas em dez anos. Ele também ficaria fora da Copa de 1978. Não fora só a despedida de Cruyff, mas a sua também, mesmo sem entrar no banco.

Novamente, alguns pensam se a sorte da Oranje seria diferente com Van Beveren no gol, ao invés de Schrijvers e Jongbloed, os arqueiros laranjas na Argentina. Impossível descartar também um complexo de perseguição do goleiro, como Neeskens comentou em 2016: “Talvez fosse um problema dele com Amsterdã, não um problema de Amsterdã com ele”.

O porto seguro nos Estados Unidos

No PSV, a imagem de Van Beveren seguiu intacta. Além de mais um título holandês (1977/78), o goleiro foi um dos destaques do título dos Boeren na Copa da UEFA, primeira conquista continental da história do clube. Porém, durante a Copa de 1978, o jogador teve a certeza de que deveria sair da Holanda: além da decepção pela ausência no torneio, pouco antes de participar de uma mesa-redonda da NOS, recebeu uma carta, com ameaças de morte e de perseguição da família. Em pânico, Van Beveren foi impedido de participar do programa por Ben van Gelder, presidente do PSV à época.

Só em 1980, ao final do contrato com o clube em que marcou época, dez anos e 291 jogos após sua chegada, Van Beveren realizou seu desejo de mudança de ares. Foi mais um holandês a atuar na NASL, a liga norte-americana da época, rumando para o Fort Lauderdale Strikers, no qual foi eleito algumas vezes o melhor goleiro do torneio. Seu técnico no PSV, Kees Rijvers se tornou treinador da seleção holandesa em 1981 e até pensou em convocá-lo, mas a Oranje era coisa do passado. O guarda-metas ficou no time da Flórida até 1983, quando se transferiu para o Dallas Sidekicks. Lá, Van Beveren encerrou a carreira, em 1985.

Mesmo depois de parar, Van Beveren fixou residência nos Estados Unidos. Dono de uma loja de selos – era apaixonado por filatelia desde os tempos de jogador -, também comandou times amadores no país. De quebra, ainda foi treinador de goleiros, no amadorismo e no profissionalismo (ocupou o cargo no FC Dallas, da MLS). Finalmente, foi o coordenador da Spindletop Select Soccer, escola de futebol para meninos e meninas em Beaumont, no Texas, a cidade em que morava – sem luxo nenhum, aliás, como lamentou Matty Verkamman, que o visitou: “Eu fui jantar com ele, no melhor restaurante da cidade, e ele só comeu biscoitos, tomou café e sorvete, e fumou o dia todo. E nem um cachorro moraria no apartamento em que ele morava. Foi deprimente ver um homem viver os últimos anos, como ele viveu”.

Quando morreu, em 26 de junho de 2011, aos 63 anos, vítima de um ataque cardíaco sofrido em casa, Van Beveren deixou aos americanos que o conheceram apenas a lembrança de um amável treinador, em escolinhas de futebol. Faltou um torneio grande, para tornar mais vívida a lembrança do grande goleiro que foi no futebol holandês – para muitos, superior até a Van der Sar. Talvez, a maior prova disso tenha vindo com o busto inaugurado pelo PSV, em 2011. Ou, principalmente, em 1999, quando a “Oranje do século XX” foi convocada a dedo por Cruyff para uma partida festiva. Um dos arqueiros convocados? Sim, Jan van Beveren. Quem sabe, um pedido tardio de desculpas. Uma prova, também tardia, da importância que ele teve – e que sempre terá no futebol holandês, mesmo sem a Copa ou a Euro que merecia.

Coluna originalmente publicada no Espreme a Laranja, blog do autor da coluna.