Willian é um dos jogadores que melhor jogou no Chelsea nas últimas temporadas. Apesar de não ser o craque do time, como Eden Hazard, é um jogador consistente, regular e é reconhecido por torcedores e pelos próprios companheiros. Aos 30 anos, com duas Copas do Mundo no currículo e quatro títulos pelo Chelsea, Willian se sente maduro e ressaltou a importância de ter passado pela Ucrânia antes de chegar à Inglaterra, em 2013.

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Ele deixou o Brasil em 2007, quando saiu do Corinthians para o Shakhtar Donetsk aos 19 anos. Passou seis anos por lá, antes de se transferir para o Anzhi por seis meses e ser contratado pelo Chelsea. Para comemorar a marca, deu uma grande entrevista ao site do Chelsea, onde falou sobre a sua adaptação à Europa, o futebol que joga e as funções que exerce.

Estilo brasileiro

“O futebol no Brasil é muito diferente do futebol daqui. O futebol aqui é mais agressivo, mais rápido. Lá no Brasil é mais lento, você tem mais espaço, você tem tempo para pensar”, analisou Willian. “Aqui algumas vezes as pessoas não têm tempo de pensar porque sempre você está sob pressão, então eu acho que é muito difícil se adaptar na Europa. Ao mesmo tempo, isso foi bom para mim, eu me adaptei bem nos 11 anos de Europa e eu estou muito feliz com a minha carreira”.

“Eu acho que sou um pouco europeu hoje também porque é uma cultura muito diferente e eu estou muito feliz porque eu aprendi muito com isso. Eu estava na Ucrânia e seis meses na Rússia, então com cinco aqui também, isso foi bom para mim”, disse Willian.

“Certamente isso me ajudou que eu estivesse um pouco mais velho quando cheguei à Premier League”, analisou o jogador, contratado em 2013, aos 25 anos. “Sem dúvida em relação a isso porque eu tinha mais experiência, eu aprendi muito e foi bom para mim vir para cá. Tornou muito mais fácil jogar na Inglaterra. Eu acho que se eu tivesse vindo direto do Brasil, seria mais difícil se adaptar, mas eu vim da Ucrânia, então eu fui capaz de me adaptar”.

Os números de Willian em termos de gols foram melhorando com o tempo. Foram quatro gols na temporada, em 2013/14, quatro na seguinte, 2014/15, depois 12 gols na temporada 2015/16, quando foi votado o jogador da temporada. Em 206/17 marcou outros 12 e na temporada passada, 2017/18, fez 13 gols. Segundo o próprio site do Chelsea, nessa última temporada Willian teve os melhores números em assistências (9) e em chutes que acertou o alvo (39).

Segundo Willian, a mudança de quatro gols para 12 foi crucial para a sua melhora. “Quando você começa a marcar gols, você tem mais confiança, mais confiança para continuar a marcar gols, para continuar a jogar bem e isso é futebol. No futebol, você tem que aproveitar o seu momento, e quando o seu momento chega, você tem que continuar, sempre melhorar”, contou o meia brasileiro.

Além de ter vencido o prêmio de jogador do ano em 2015/16, ele foi eleito o melhor na eleição entre os jogadores. “Foi uma grande surpresa quando eu ganhei o prêmio de jogador do ano pelos jogadores na temporada passada, eu não esperava isso e quando eles me nomearam, eu fiquei muito emocionado e eu fiquei muito feliz. Eu não sei por que eles me escolheram, mas eu acho que eu joguei muito bem na temporada passada, eu acho que foi um dos melhores anos da minha carreira”, avaliou o jogador.

“Eu melhorei muito. Sempre que vou a campo eu quero marcar gols e fazer assistências aos meus companheiros, então eu espero que nesta temporada eu faça o mesmo trabalho que eu fiz na temporada passada. Eu acho que estou em um bom momento da minha carreira. Eu estou com 30 anos e eu cheguei ao melhor momento da minha carreira, então eu quero apenas continuar do mesmo modo, jogar do mesmo jeito ou melhor que na temporada passada”, disse Willian.

Transferência

“Muitas pessoas dizem muita coisa na imprensa, mas eu nunca disse que eu queria sair do Chelsea, nunca”, afirmou o meia, em entrevista ao site do clube. “Sempre disse que quero ficar no Chelsea o quanto for possível e eu estou feliz em estar aqui”.

“Minha mente sempre foi assim, sempre que eu chego aqui, meu plano é ficar o mais longo tempo possível e estou aqui há cinco anos agora, espero ficar mais cinco”, disse o jogador, de 30 anos recém completados.

“Eu sei que tenho mais dois anos de contrato, mas eu espero ficar mais anos aqui na Premier League. Eu estou muito feliz por estar aqui há cinco anos. Eu ganhei títulos e joguei muitos jogos com muitos momentos de alegria e alguns de tristeza também, mas faz parte do futebol. Esses cinco anos foram muito bons para mim e eu tenho orgulho de ser um jogador do Chelsea”, afirmou ainda o meia, que veste a camisa 22 do clube de Londres.

Mudança de lado com Sarri, da direita para a esquerda

“Eu acho que aqui no Chelsea nós temos mais liberdade para mudar de posição”, avalia Willian. “Uma hora ir para a esquerda e então mudar para a direita. O Brasil era mais estático, eu tinha que jogar mais na direita e Neymar mais na esquerda, então nós não podemos mudar de posição. Essa é a diferença”.

“Eu não tenho problema nenhum em jogar na esquerda ou na direita. Eu gosto de jogar nas duas posições. Eu posso jogar na esquerda e eu posso jogar na direita, depende do técnico. Se ele me diz para jogar na esquerda, eu vou jogar, se ele me diz para jogar na direita, eu vou jogar. Eu não tenho problema com isso”, explicou o jogador. No Chelsea, ele jogou mais pela direita ao longo desses cinco anos, embora no Shakhtar ele fosse um meia mais aberto pela esquerda.

Treino de cobranças de falta

“Eu apenas pratico minhas cobranças de faltas e quando eu tenho a chance no jogo eu faço o mesmo chute que eu fiz no treinamento e é importante treinar bem porque às vezes você tem a chance com uma cobrança de falta que pode decidir um jogo. Bolas paradas são muito importantes”, analisou o meia brasileiro, que cobrou a falta que resultou no gol da vitória contra o Newcastle, em um chute de Marcos Alonso em jogada ensaiada.

“Contra o Newcastle, nós combinamos no treino e funcionou no jogo, foi legal. Isso foi o que o técnico nos pediu para fazer e nós fizemos bem. Parece tão bom quando você faz parte de uma cobrança de falta assim, quase tão bom quanto marcar um gol em chute direto”.

Um negócio fora de campo com David Luiz

Willian e David Luiz são dois jogadores brasileiros que já ganharam muitos pontos de simpatia com os torcedores. Não só pela sua aparência e os sorrisos, mas especialmente pelas atuações em campo. Fora dele, os dois começaram um negócio juntos: abriram um restaurante de comida italiana no início do ano em Londres chamado Babbo.

“Nós estamos indo bem aqui”, ele afirmou. “Nós apenas começamos, é uma vida diferente, mas é uma experiência muito boa para mim e para David. A comida é italiana, não brasileira. Eu nem sei por que, para ser honesto”, contou, sorrindo. “Mas a comida italiana é boa, e Zappa [David Zappacosta, italiano] experimentou quando foi lá e outros jogadores também, eles amaram a comida”.

Willian estava com a seleção brasileira nos jogos contra Estados Unidos e El Salvador e volta ao Chelsea para jogar no fim de semana. No sábado, dia 15, o Chelsea enfrenta o Cardiff, pela Premier League, às 11h da manhã (no horário de Brasília).